O manifesto
Altea, sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Nós vamos ser um por cento da internet.
Em dez anos, os humanos vão ser só um por cento do tráfego da internet. O resto vai ser máquina falando com máquina.
Dá vertigem. Para mim, esclarece: numa internet cheia de robôs, o raro somos nós.
Com a IA, ninguém sabe que trabalho vai sobrar. Dizem para a gente esperar, se adaptar, se requalificar para ofícios que talvez já não existam quando o curso terminar. Esperar é deixar outro decidir por nós.
O comércio não para. Alguém fabrica, alguém precisa, alguém liga as duas pontas. Esse ofício atravessou impérios, crises e todas as revoluções técnicas. Vai atravessar essa também.
Então é isso que a gente pensa, e não vai agradar todo mundo: em cada família, alguém deveria vender online. Não como bico. Como ofício. E não com um site só — potencialmente uns dez.
Não é promessa de riqueza. É uma posição. Uma família que vende tem algo seu: um nome, clientes, uma renda que não depende de um empregador recalculando quadro.
A IA não tira esse trabalho da gente. Ela torna ele possível de carregar. Ela cuida do catálogo, faz as fotos, os vídeos, as fichas, publica. Um volume que ninguém carregaria sozinho.
E a gente fica com a única coisa que nenhuma máquina pode ter no nosso lugar: o vínculo. Nossas redes. Nossa influência. As pessoas que confiam na gente. Uma IA escreve mil posts. Ela não consegue ser alguém em quem se acredita.
Foi por isso que eu criei o Becomy Studio. Receber um produto, fotografar rápido, deixar a IA fazer as fotos e os vídeos de promoção, publicar. Eu cuido das redes e mantenho o vínculo com a comunidade — para cada post encontrar o máximo de clientes, e dia após dia eu conhecer e atender melhor os meus.
A gente não vai ser plateia dessa internet. A gente se recusa a esperar que um algoritmo escolha.
— Tracy LOISEL, Fundador.
Matthew Prince, CEO da Cloudflare, já mede a virada: em maio de 2026, o tráfego não humano passou o humano na rede dele. Se a tendência se mantém, em cinco anos o tráfego não humano pode ser até mil vezes o tráfego humano.